Futuro do polo industrial da Serra depende da retomada da malha ferroviária e integração com outros modais
Custo logístico ameaça a própria sobrevivência das empresas, apontam lideranças em painel sobre a concessão da Malha Sul
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A necessidade da retomada das linhas de trem interligando as principais regiões do estado com o restante do país será determinante para que o polo metalmecânico da Serra gaúcha mantenha condições mínimas de competir no mercado. O alerta surgiu durante o painel que debateu o futuro da concessão da Malha Sul, realizado na manhã desta quinta-feira (dia 22/10), durante a 35ª Mercopar, em Caxias do Sul. O encontro foi realizado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) - vinculado ao governo do RS por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) -, em parceria com as principais entidades empresariais da região.
Desde o mês passado, o consórcio contratado pelo BRDE já vem trabalhando nos estudos estratégicos para apresentar um diagnóstico ampliado sobre o modal ferroviário que contemple as necessidades da região Sul do país. “Como o governo federal anunciou para o final de 2027 o lançamento do novo edital de concessão, teremos tempo suficiente para apresentar uma proposta que contemple nossas necessidades estratégicas e que tenha viabilidade”, destacou o diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto.
O diretor salientou a necessidade das lideranças empresariais e políticas se manterem mobilizadas em torno do tema. “Hoje há uma integração entre os três estados do Sul e temos uma porta aberta para que nossas demandas sejam acolhidas. Trata-se de um tema fundamental para diferentes setores produtivos”, acrescentou Busatto. Os estudos contratados pelo BRDE devem estar concluídos até o metade do ano que vem, mas um primeiro diagnóstico deverá ser conhecido ainda em 2026.
O titular da Sedec, Leandro Evaldt, destacou que a discussão sobre a Malha Sul vai além da infraestrutura. “Estamos falando de competitividade, geração de empregos e desenvolvimento regional. Uma ferrovia eficiente e integrada aos demais modais é fundamental para reduzir custos logísticos e ampliar a capacidade de crescimento das empresas gaúchas”, ressaltou.
Sobrevivência
O vice-presidente regional do Centro das Indústrias do RS e diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, Ruben Bisi, advertiu para o risco da Serra perder empresas e empregos justamente pelo custo logístico. “Nossa movimentação de cargas está prejudicada em todos os modais. Por isso, temos um custo logístico de 21% do PIB, acima da média nacional e incomparável com outros países”, apontou.
Segundo maior centro metalmecânico do país, a Serra convive com problemas de logística históricos e que impactam no nível de competitividade. “Diria que a própria sobrevivência das nossas empresas depende da concessão da malha ferroviária que virá. É fundamental termos um modelo rodoferroviário”, alertou o voluntário do MobiCaxias na área de infraestrutura, Marcelo Dondé, que atua diretamente na mobilização regional em torno do Terminal Rodoferroviário no município de Vacaria.
Corredor Estruturante
Há no mínimo dois anos liderando as discussões em torno do tema e do risco que havia de uma prorrogação atual concessão, o secretário estadual de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, reforçou sua crença de que as demandas da região Sul serão melhor observadas até o lançamento do edital. “Há um entendimento de que não podemos abrir mão de um modelo integrado e que atenda a todos os modelos produtivos, pois do contrário estaríamos subestimando as nossas capacidades”, comentou.
Durante o painel, o secretário apresentou um esboço de um cenário que seria o ideal para as necessidades do RS considerando a estrutura que já existia. A proposta que ele denominou de Corredor Rio Grande Estruturante está estruturado em quatro fases, começando pela retomada da ligação entre cidades como Passo Fundo, Cruz Alta santa maria, Cacequi e São Gabriel com o Porto de Rio Grande. As etapas seguintes se referem a conexão com as demais regiões e com o Mercosul.
O esboço considerou os volumes transportados em 2011, quando a rede ferroviária atingiu o pico numa série histórica entre 2006 e 2025. “Esse modelo já supera a proposta que a União apresentou mesmo antes de avaliar o potencial em termos de maior demanda”, descreveu Magalhães. O potencial nominal de transporte interestadual seria de 7,2 milhões de toneladas, enquanto a proposta federal ficaria 3m 3,9 milhões de toneladas.
Realizado no Espaço Conhecimento da Mercopar, o painel teve a correalização do MobiCaxias, Amesne, Bento+20, Simecs, CICS Serra, Cisga, Movergs e CIC Caxias. A jornalista Giane Guerra foi a mediadora dos debates.